Kelson de Oliveira Silva
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do Brasil pelas primeiras décadas do século XX. Em função do
descrédito social pelo litoral, Fortaleza “não desperta cedo para
o uso de sua maritimidade e, principalmente, para o uso de sua
zona de praia como opção de lazer”.
Silva (2006, p. 48) coloca que as primeiras atividades so-
ciais relacionadas ao mar em Fortaleza, no início do século
XX, foram os tratamentos terapêuticos, os banhos de mar e
as caminhadas na praia, “simbolizando a demanda de uma
sociedade em busca de lazer que até este momento era restrito
à área central da Cidade”. Nas décadas de 1920/1930, a ex-
pansão da cidade em direção aos bairros de Jacarecanga, Praia
de Iracema e Aldeota, ocupados pelas elites, sinaliza o início da
valorização social do litoral.
A valorização social do banho de mar e do hábito de
morar próximo à faixa de praia no Brasil assume papel de
prestígio e ganha valor como mercadoria de consumo somen-
te na segunda metade do século XIX, inicialmente nas praias
cariocas, depois no litoral santista, o que foi responsável pela
redefinição drástica da paisagem litorânea, devido o processo
de urbanização provocado pela produção de residências secun-
dárias, fenômeno esse que mais recentemente vem ocorrendo
na Região Nordeste.
Com a proximidade e o contato físico com a praia, o mar
deixou de representar uma ameaça, gradualmente, assumindo
papel social e econômico, entre os populares e as classes mais
abastadas. Entretanto, conforme coloca Dantas et al (2008),
o banho de mar no Brasil não gozava das mesmas dimensões
dos banhos de mar no Ocidente, provavelmente em virtude da
fraca eficácia a ele atribuída pelo discurso médico local.
No fim do século XIX e primeiras décadas do século
XX, outras cidades brasileiras também aderem aos banhos de
mar como atividade puramente ligada ao lazer da família, ain-
da que de modo particular conforme cada lugar. A partir de
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