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O uso recreativo da praia e residência secundária
Na Europa,
o sucesso alcançado pelas estâncias termais
do interior, em particular na Inglaterra, e a codificação dos
tratamentos com águas minerais e banhos, procuram-se esten-
der também para os balneários marítimos, institucionalizando
as práticas. Segundo Camargo (2007), a doutrina médica-te-
rapêutica de Russel conquistou adeptos distintos e abastados,
e com o intuito de atendê-los, o médico passou a ocupar uma
casa suntuosa no balneário marítimo de Brighton-Sussex –
muito próximo ao sul de Londres, atraindo público de todo o
continente europeu.
O hábito do banho de mar antecedeu a residência se-
cundária como lugar de descanso e lazer, e também a ativida-
de turística enquanto fenômeno de massa. Boyer (2003) afirma
que foram os americanos, por volta de 1900, que socialmente
criaram a Flórida, dando origem a um novo “paraíso exótico,
com coqueirais, praias de areia fina e água morna no inverno”.
Quanto ao hábito de banhar-se nas praias do Mediterrâneo
nas estações de inverno, Boyer afirma que:
Foram os americanos de Montparnasse que, em seguida à
Primeira Guerra, criaram o gosto de ir, por exemplo, no ve-
rão, banhar-se, distrair-se à beira do Mediterrâneo em lugares
novos, com o estilo descontraído dos novos ricos e a desen-
voltura da
lost generation
; estes americanos lançaram Juan-les-
-Pins onde vieram se apresentar Mistiguet e Charles Boyer
(BOYER, 2003, p. 46).
No caso da cidade de Fortaleza, o processo de valoriza-
ção do mar se iniciou muito timidamente. Silva (2006, p. 33)
coloca que durante longo período de tempo a cidade perma-
neceu voltada para o sertão,“sendo produzida de costas para o
mar”, em função do desprezo pelo litoral, fato esse que perdu-
rou por todo o século XIX se estendendo em algumas cidades
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