Kelson de Oliveira Silva
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água salgada das praias tinham um fim terapêutico. Boyer
(2003) afirma que, a partir do século XIX, o discurso terapêu-
tico tornou-se dominante, popularizando a ideia de higiene
entre as mais diversas classes sociais.
De acordo com Dantas (2004, p. 70), os banhos de mar
por motivos terapêuticos provocaram a procura massiva de do-
entes às estâncias litorâneas. Normalmente, “acometidos pela
melancolia e pela depressão”, esses doentes tentavam acalmar
suas angústias provocadas por uma vida ociosa e entediada
através dos banhos de mar. Para Dantas (2004, p. 70), esse pa-
norama se instala a partir do discurso médico vigente até a
metade do século XIX, quando “assume e codifica as práticas
marítimas e prescreve o banho de mar”. Em Fortaleza/CE, na
praia de Meireles, as casas de campo das religiosas serviam de
abrigo e tratamento aos doentes.
A pouca ou nenhuma importância dada ao mar, pela
literatura no período colonial, reforçou a concepção vigente
do mar como lugar ameaçador. Camargo (2007) coloca que
a literatura, contrariando as origens do colonizador português,
pouca ou nenhuma importância atribuiu ao mar e ao litoral
e, como consequência, as praias são ignoradas como espaço de
convívio social. O colonizador mantinha com o mar apenas
uma relação de dependência, preocupado em defender o con-
tinente e expandir a área de ocupação.
O “Manual do banhista ou estudo sobre o banho de
mar”, publicação de origem europeia, segundo Camargo
(2007), surge em 1876, com o intuito de orientar os banhos de
mar por prescrição médica. Esse fato coloca em evidência a
importância dada ao fenômeno, tanto na Europa, como tam-
bém no Brasil.No Brasil, a publicação primeiro chegou à cida-
de do Rio de Janeiro, certamente pelo motivo da efervescência
da febre dos banhos salgados entre os seus citadinos e por ser a
capital federal.
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