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O uso recreativo da praia e residência secundária
então, a escrever narrando em poemas as belezas e os prazeres
das praias e do mar (CORBIN, 1989). Presume-se que, com a
produção dessa literatura, houve uma mudança sociocultural
pelo “gosto” do mar, revalorizando e ressignificando os ele-
mentos paisagísticos do litoral.
O fluxo de pessoas se dirigindo à praia torna-se mais
expressivo por volta de 1750, atendendo à concepção médi-
ca de aliviar a angústia, a melancolia e a tristeza presente
nos citadinos europeus (CORBIN, 1989). O discurso médi-
co e higienista dos banhos de mar como recurso terapêutico
contribuíram de maneira decisiva para disseminar o banho de
mar, posteriormente apropriado como forma de lazer e ócio,
quando entre os anos de 1750 a 1840, começou a tomar forma
o uso recreativo das praias:
É então que as margens do oceano surgirão como alternativa
aos males da civilização, como lugares onde se pode ler da for-
ma mais simples a nova temporalidade proposta pelos sábios,
experimentar a dissociação da história do homem em relação
à da terra (CORBIN, 1989, p. 65).
Até a segunda metade do século XIX, as áreas litorâneas,
essencialmente, eram locais destinados à produção e ao esco-
amento de mercadorias. De acordo com Silva (2006), no caso
particular de Fortaleza, até por volta do início do século XX,
não era costume frequentar as praias e utilizar o mar como
local de lazer.As áreas próximas aos portos eram consideradas
zonas impróprias à permanência de “pessoas de bem”, sendo
local de circulação dos trabalhadores portuários que, muitas
vezes, utilizavam pouca roupa.
Conforme Boyer (2003), os britânicos foram os respon-
sáveis por difundir a prática do banho de mar, criando os bal-
neários, no qual o passeio na orla e a prática da imersão na
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