Kelson de Oliveira Silva
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Leblon e Búzios em balneários de residências secundárias da
mais fina sociedade carioca. O modismo aristocrata de passar
períodos de férias em uma “casa de verão”, gradativamente
ganha expressão por outras cidades do país, tornando-se ob-
jeto de desejo e signo de
status
social, sendo responsável pelo
surgimento de uma nova dinâmica territorial de ocupação e
uso das praias.
A valorização do litoral como paisagem de consumo e o
crescente interesse pela aquisição de uma residência secundária
para os momentos de lazer estão associados às conquistas dos
direitos trabalhistas, a partir da década de 1930, e a ampliação
da malha rodoviária do país – bem como ao momento histó-
rico da década de 1950, quando o uso de veículos particulares
começou a fazer parte da rotina da elite Sul/Sudeste do Brasil.
Esses fatores foram determinantes para que as classes sociais
de poder aquisitivo médio e alto adquirissem uma residência
secundária, procurando as amenidades de paisagens distantes
dos centros urbanos.
Inicialmente, no Brasil, as primeiras residências secun-
dárias surgem nos arrabaldes das grandes cidades, no século
XIX, como produto de consumo das elites locais constituídas
de políticos, funcionários públicos e alguns comerciantes bem-
-sucedidos. Essas residências secundárias se localizavam pre-
dominantemente no meio rural, distantes das zonas de praia,
considerando-se que a vigência do modelo sol/mar somente se
consolida como modismo no século XX.
Com a difusão do uso recreativo da praia (século XX)
em diferentes cidades do Brasil, sem qualquer planejamento ur-
bano, consolida-se uma imensa linha de residências secundá-
rias ao longo do litoral brasileiro, principalmente nas décadas
de 1960/1970, implicando no rápido processo de urbanização
da costa marítima. Esse processo de urbanização do litoral re-
sultou em graves danos ambientais e socioespaciais, como a
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