APRESENTAÇÃO
No Brasil, a residência secundária passou a ser objeto de
estudo a partir da segunda metade da década de 1970, com o
trabalho de Odette Seabra, publicado em 1979, no qual ana-
lisou-se como a produção desse tipo de domicílio provocou a
expansão urbana do litoral de Santos/SP; no início da década
de 1990, Mauren Roque estudou as desigualdades e as dife-
renças sociais provocadas pela divisão territorial do trabalho,
por residências secundárias, na Estância Balneária do Guaru-
já/SP; em 1995, Olga Tulik avaliou a dimensão e a distribui-
ção territorial das residências secundárias no Estado de São
Paulo; e, no ano 2000, o trabalho de doutorado em Geografia
pela Université de Paris IV (Sorbone), do professor Eustógio
Wanderley Correia Dantas, com o título “Fortaleza e le Ceará.
Essai de géopolitique d’un pays de colonisation tardive: de la
colonisation à la mutation touristique contemporaine”, investi-
gou o processo geoestratégico de ocidentalização, pelo turismo,
da cidade de Fortaleza através da valorização do mar como
mercadoria. Essa valorização da costa marítima teve como
desdobramento, entre outros, a crescente procura do litoral por
residências secundárias.
No início do século XIX, na cidade do Rio de Janeiro,
os banhos de mar e o costume pela vilegiatura foram há-
bitos introduzidos pela monarquia e seguidos por sua corte
e burguesia local, transformando praias como Copacabana,
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