A
to superficial, devemos considerer o realizado pelas
águas de infiltração. Todavia o trabalho da erosão vai
depender ainda do clima, e também do solo, com a
sua constituição geológica e a sua forma topográfica.
De um lado temos, pois, a força que age e, de outro, a
resistência oposta a essa força. As águas estão em cons-
tante circulação, estando presentes tanto na atmosfera
sob a
forma de vapor
, quanto sob a
forma líquida
, na
superfície do solo, ou mesmo no interior do subsolo,
constituindo lençóis aquíferos. Três são as partes que
integram o ciclo hidrológico: 1 – Água de evaporação;
2 – Água de infiltração; 3 – Água de escoamento su-
perficial.
As
águas de evaporação
têm grande impor-
tância, não só para o estudo do clima, como também
na alteração das rochas (decomposição química). Por
ocasião das precipitações, pluviais verifica-se que uma
parte das águas pode não chegar ao solo, evaporan-
do e constitui a umidade; outra escoa, e finalmente,
a que se infiltra, vai formar o lençol subterrâneo. Em
determinadas condições, devido à inclinação e imper-
meabilidade do terreno vão se formar constantemente
as águas de escoamento superficial que produzem os
maiores desgastes, erodindo o solo, produzindo ravinas
ou voçorocas (
vide
), ou mesmo os rios. A ação direta
da
água da chuva
é dupla, pois realiza simultaneamen-
te uma ação física e química. Aglomera as poeiras e
partículas soltas, cava regos e sulcos nas argilas tenras,
embebe as rochas permeáveis, favorecendo, nas regi-
ões de clima temperado, as geadas. A água das chuvas
dissolve as rochas solúveis e ataca o calcário graças ao
gás carbônico que contém em dissolução. Quando as
chuvas são abundantes, os elementos solúveis do solo
desaparecem, e muitos óxidos são transformados em
hidróxidos. É à presença do
óxido de ferro
que se deve
a cor vermelha das rochas de certas regiões desérticas
–
rubefação
. Os efeitos das águas das chuvas sobre a
superfície da Terra decorrem dos seguintes fatores: A
–
Diferentes tipos de clima
: a) equatorial – predomínio
da decomposição química; b) tropical – decomposição
química e desagregaçãomecânica; c) temperado – ero-
são normal (erosão fluvial). No tocante ao item clima,
não podemos deixar de assinalar sua grande importân-
cia para explicar os efeitos das
águas de infiltração
e das
águas correntes superficiais
, desagregando, decompon-
do, erodindo, dissolvendo e lavando a superfície das
rochas e dos solos. Considerando, por exemplo, uma
região equatorial de superfície mais ou menos plana,
onde há uma grande precipitação durante todo o ano,
vamos observar o predomínio da decomposição quí-
mica. Nas regiões temperadas onde as quatro estações
do ano são bem definidas, temos a realização do que
chamamos
erosão
normal
(
vide
). B –
Volume do relevo
e condições topográficas
: a) montanhas; b) planaltos; c)
planícies; d) bacias de acumulação. Nas regiões mon-
tanhosas, a ação das águas das chuvas é considerável,
constituindo as
enxurradas
(
vide
) e as
torrentes
(
vide
). Há
uma grande massa que se desgasta por causa dos for-
tes declives. Nestas regiões, a água leva pouco tempo
para se infiltrar; o lençol superficial, portanto, corre com
rapidez, produzindo um forte desgaste. Nas regiões de
planalto, este desgaste vai ser mais forte nas bordas.
A erosão no topo do planalto é fraca e nas escarpas é
mais acentuada, surgindo as voçorocas e ravinas. Nas
planícies, o trabalho da erosão vai ser relativamente fra-
co, porque os rios são de fraca declividade e escavam
com pouca força o perfil longitudinal. Nas regiões de
depressões relativas – bacias de acumulação – as águas
das regiões vizinhas se acumulam e depositam aí os
detritos que foram carregados em suspensão. C – Natu-
reza do material: a) rocha sã; b) rocha alterada; c) solo. A
natureza do material que constitui a superfície do glo-
bo terráqueo tem grande importância na explicação da
resistência ou da permeabilidade que os diferentes ti-
pos de rochas e solos podem oferecer às águas de infil-
tração e de escoamento superficial. Naturalmente não
se pode estudar a importância da natureza das rochas
sem se levar em consideração os outros fatores, como
ressalto do relevo, tipos de clima e cobertura vegetal.
Todas as rochas são mais ou menos permeáveis, mes-
mo o granito, que dá a impressão de ser impermeável,
mas permite a infiltração da água. O trabalho das águas
sobre as rochas vai depender do estado das mesmas:
sã
ou
viva
– rocha que não sofreu alteração;
podre
ou
al-
terada
– rocha que sofreu alteração (decomposta). Nos
grandes maciços de sienitos, granitos, etc., as águas das
chuvas penetram com extrema dificuldade; nas rochas
de fácil permeabilidade (areia, calcários diaclasados) a
água da chuva se infiltra com rapidez, ao longo da pró-
pria superfície (arenito) ou das fraturas. Ainda no tocante
às águas de infiltração devemos distinguir as rochas
que têm
permeabilidade de origem
, das que têm
permea-
bilidade adquirida
, e finalmente as
impermeáveis
. D –
Cobertura vegetal: a) florestas; b) campos. A cobertura
vegetal constitui um dos elementos de grande impor-
tância para explicar os efeitos das águas correntes, no
que diz respeito à erosão do solo, ou mesmo ao ravina-
mento e à formação de rios. Ao se estudar a importân-
cia da cobertura vegetal no tocante às facilidades de
reserva d’água no subsolo, ou no obstáculo oferecido à
erosão das águas das chuvas, não podemos deixar de
levar em consideração os fatores topografia e natureza
das rochas. Nas regiões de topografia plana, cobertas
ÁGUA
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