Página 35 - A Resid

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O USO RECREATIVO DA PRAIA E
RESIDÊNCIA SECUNDÁRIA
Nessa segunda parte do trabalho, será apresentado como
o uso recreativo da praia antecedeu o modismo aristocrata e
burguês de passar dias distantes da casa principal, descansado
em residências secundárias. Por esse motivo, antes de abordar-
-se a origem propriamente dita da residência secundária, serão
apresentados os elementos que precederam o costume de morar
e veranear no campo ou cidade, costume de origem europeia
que chegou ao Brasil no período colonial, com a chegada da
coroa portuguesa, em 1808.
2.1 O mar – de lugar aterrorizante a lugar de moradia e
lazer
O mundo conhecido pelos europeus até o século XV
resumia-se à própria Europa, parte da Ásia e norte da África
(SILVA, 2006). De acordo com Silva (2006), prevalecia, nesse
período, uma visão do mar atrelada a fatos religiosos e a im-
pressões diluvianas, levando as praias a serem locais, por muito
tempo, repulsivos para a população.
A imagem aterrorizante do mar, difundida a partir da
interpretação religiosa da Bíblia Sagrada, colaborou para re-
forçar essa aversão pelo litoral, tanto é que no “Jardim do Éden
não existe mar”, conforme Corbin (1989, p. 11).Corbin (1989, p.
28) coloca que Santo Agostinho, Santo Ambrosio e São Basílio
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